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A Doença do Tempo

A doença do tempo tem dois sintomas: a “falta de tempo” e o medo de “perder tempo”. Angústia, ansiedade, fadiga, depressão e stress são sintomas orgânicos derivados daqueles dois.
A produtividade do trabalho aumentou, mas temos cada vez menos tempo para nós mesmos. Não temos tempo e os dias são curtos porque não damos conta de tantas demandas sobre nós. O que não vemos é que grande parte destas demandas nos é colocada por nós mesmos. Mantemo-nos permanentemente ocupados, saturando nosso tempo com atividades. Queixamo-nos de que nos falta tempo livre, mas não conseguimos suportá-lo. Por medo de perder tempo, ocupamos o tempo livre com qualquer atividade. Sentimo-nos ansiosos quando não estamos ocupados, sentimo-nos inúteis, sem valor. Mas ser produtivo é diferente de ser ocupado. Ser produtivo é gerar valor.
Vivemos na urgência, sem tempo para pensar. Mas é justamente quando nos questionamos sobre o que fazer do nosso tempo, que nos colocamos as questões fundamentais sobre o sentido da nossa vida, sobre a essência da nossa identidade. Então o uso do tempo deixa de ser urgente para ser vital. Torna-se uma questão ética.
Ocupados e sem tempo livre para pensar, nossa vida não tem sentido e o que fazemos do nosso tempo é irrelevante. Podemos ser jogados de um lado para outro ao sabor das circunstâncias. Ficamos “doentes do tempo”.

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